Cuidados em casa

Doentes com Leucemia e Linfoma

O grande desafio de todos os cuidadores , familiares e amigos  é a sobrevivência do doente  com qualidade de vida.  Os grandes obstáculos são o desconhecimento da doença e suas diferentes etapas por parte do doente e  familiares que os impedem de participar activamente e de forma positiva com a equipa de médicos e enfermeiros. Assim, a ADL cumprindo o seu lema de ” formar e informar vem transmitir conhecimentos científicos , de forma simples e objectiva aos doentes , familiares e amigos  principalmente no que respeita a :

 1 – cuidados com alimentação , quiça a maior preocupação da família mais próxima , que muitas vezes assiste , angustiada e impotente ao emagrecimento do seu ente querido com consequente perda de energia e desinteresse pela vida ;

 2 – necessidade de cumprir rigorosamente as prescrições médicas , condição imprescindível à obtenção e manutenção dos objectivos médicos pré-definidos e assim melhor a qualidade de vida;

3 -  cuidados com a pele, cateteres e locais a evitar de forma a minimizar o risco de  infecções nestes doentes imunocomprometidos.

A ADL acredita que esta é a forma mais útil de ajudar os doentes.

O que existe actualmente  no HSJ , de extrema importância para o sucesso das nossas actividades enquanto médicos e cuidadores , é  uma estreita colaboração com o doente em ambulatório e seus familiares ; no momento da alta hospitalar é dado ao doente contacto telefónico que lhe permite comunicar com médicos e pessoal de enfermagem quando há qualquer dúvida ou situação adversa.

 Um dos problemas para quem está doente é a alimentação. Para um doente oncológico, seja pela própria doença, pelas complicações resultantes ou pelas terapêuticas efectuadas, a necessidade de encontrar alternativas fáceis à confecção de alimentos nutritivos, preparar refeições minimamente apelativas e adaptadas, é por vezes um problema difícil de resolver. Tem-se constatado na prática clínica que esta é uma grande preocupação dos familiares dos doentes e constitui um desafio diário. É importante manter um estado nutricional que possa prevenir complicações, optimizar a qualidade de vida nos diferentes estágios de evolução da doença. Um estado de desnutrição pode comprometer os tratamentos pelo que se devem corrigir hábitos alimentares errados que também podem influenciar negativamente .Conhecer os alimentos com maior valor proteico e calórico, formas de facilitar a ingestão do alimentos, assim como saber como lidar com náuseas e vómitos, lesões na boca, alterações do gosto e do olfacto, diarreia, prisão de ventre, etc, são pequenas coisas que explicadas aos doentes e familiares poderão fazer a diferença para diminuir os níveis de ansiedade a que estes sempre estão sujeitos. Refira-se que os hábitos portugueses e o nosso tipo de alimentação mediterranica são normalmente muito adequados ,  necessitando apenas de ser adaptados à realidade concreto dos doentes com cancro.

Para além dos cuidados com a alimentação é de extrema importância garantir alguns cuidados básicos comuns a qualquer pessoa mas que no doente com cancro podem ser determinantes na sua qualidade de vida. Medidas simples como a manutenção da pele seca mas bem hidratada, o uso de roupa confortável adaptada às estações do ano e de preferência que permita “respirar” a pele são medidas mais ou menos acessíveis a todos. Usar sempre protector solar , mesmo no Inverno , usar hidratante no rosto e em todo o corpo , nos dias de sol proteger a cabeça com chapéu de abas largas e usar sempre óculos com protecção contra radiação UV, não exposição solar directa, assim como evitar andar na rua nos períodos de mais intensidade de sol e calor (12h-16h) são algumas das regras que os doentes oncológicos devem seguir.

As recomendações da ADL aos doentes e familiares são : a) manterem-se informados o mais possível sobre os vários aspectos e complicações da doença b) não ficar com dúvidas – comunicar com a equipa de cuidadores sempre que for necessário ; c)  ter uma boa dose de bom senso e paciência para lidar com o ente querido que está fragilizado pela doença.

A todos os que lidamos com estes doentes lembrarmo-nos diariamente que “…o  doente é mais pessoa que toda a gente”.