27 Janeiro

2_ReuniaoInverno

Maria Ferreira(1) (1)O grande desafio de todos os cuidadores , familiares e amigos  é a sobrevivencia do doente  com qualidade de vida.  Os grandes obstáculos são o desconhecimento da doença e suas diferentes etapas por parte do doente e  familiares que os impedem de participar activamente e de forma positiva com a equipa de médicos e enfermeiros. Assim, a ADL nesta mesa redonda ” Doença Hemato-Oncológica e os cuidados em casa” pretendeu cumprir o seu lema de ” formar e informar ” isto é , transmitir conhecimentos científicos , de forma simples e objectiva aos doentes , familiares e amigos  principalmente no que respeita a :
  1 – cuidados com alimentação , quiça a maior preocupação da família mais próxima , que muitas vezes assiste , angustiada e impotente ao emagrecimento do seu ente querido com consequente perda de energia e desinteresse pela vida ;
2 – necessidade de cumprir rigorosamente as prescrições médicas , condição imprescindível à obtenção e manutenção dos objectivos médicos pré-definidos e assim melhor a qualidade de vida;
3 -  cuidados com a pele, cateteres e locais a evitar de forma a minimizar o risco de  infecções nestes doentes imunocomprometidos.
A ADL acredita que esta é a forma mais útil de ajudar os doentes.

 Ainda não existem cuidados directos por parte do hospital aos doentes hemato-oncológicos que estão em casa. Essa é uma pretensão da ADL – criar grupo de médicos e enfermeiros que se disponibilizem a ir a casa dos doentes que efectivamente precisem , doentes em estadio terminal ,   mas esta é uma questão que sai do âmbito desta reunião.
O que existe actualmente  no HSJ , de extrema importância para o sucesso das nossas actividades enquanto médicos e cuidadores , é  uma estreita colaboração com o doente em ambulatório e seus familiares ; no momento da alta hospitalar é dado ao doente contacto telefónico que lhe permite comunicar com médicos e pessoal de enfermagem quando há qualquer dúvida ou situação adversa.

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Um dos problemas para quem está doente é a alimentação. Para um doente oncológico, seja pela própria doença, pelas complicações resultantes ou pelas terapêuticas efectuadas, a necessidade de encontrar alternativas fáceis à confecção de alimentos nutritivos, preparar refeições minimamente apelativas e adaptadas, é por vezes um problema difícil de resolver. Tem-se constatado na prática clínica que esta é uma grande preocupação dos familiares dos doentes e constitui um desafio diário. É importante manter um estado nutricional que possa prevenir complicações, optimizar a qualidade de vida nos diferentes estágios de evolução da doença. Um estado de desnutrição pode comprometer os tratamentos pelo que se devem corrigir -se hábitos alimentares errados que também podem influenciar negativamente .Conhecer os alimentos com maior valor proteico e calórico, formas de facilitar a ingestão do alimentos, assim como saber como lidar com náuseas e vómitos, lesões na boca, alterações do gosto e do olfacto, diarreia, prisão de ventre, etc, são pequenas coisas que explicadas aos doentes e familiares poderão fazer a diferença para diminuir os níveis de ansiedade a que estes sempre estão sujeitos. Refira-se que os hábitos portugueses e o nosso tipo de alimentação mediterranica são normalmente muito adequados ,  necessitando apenas de ser adaptados à realidade concreto dos doentes com cancro.
Para além dIMG_5785os cuidados com a alimentação é de extrema importância garantir alguns cuidados básicos comuns a qualquer pessoa mas que no doente com cancro podem ser determinantes na sua qualidade de vida. Medidas simples como a manutenção da pele seca mas bem hidratada, o uso de roupa confortável adaptada às estações do ano e de preferência que permita “respirar” a pele são medidas mais ou menos acessíveis a todos. Usar sempre protector solar , mesmo no Inverno , usar hidratante no rosto e em todo o corpo , nos dias de sol proteger a cabeça com chapéu de abas largas e usar sempre óculos com protecção contra radiação UV, não exposição solar directa, assim como evitar andar na rua nos períodos de mais intensidade de sol e calor (12h-16h) são algumas das regras que os doentes oncológicos devem seguir.
  Os meus conselhos aos doentes e familiares são : a) manterem-se informados o mais possível sobre os vários aspectos e complicações da doença b) não ficar com dúvidas – comunicar com a equipa de cuidadores sempre que for necessário ; c)  ter uma boa dose de bom senso e paciência para lidar com o ente querido que está fragilizado pela doença.
A todos os que lidamos com estes doentes lembrarmo-nos diariamente que “…o  doente é mais pessoa que toda a gente”.

 
  Em nome da ADL,
Maria Fátima Ferreira